O Presidente de Angola, general João Lourenço, condenou hoje a “conduta reprovável” dos líderes africanos que põem de lado a solidariedade e irmandade, agindo contra os interesses de África e dos seus povos, e criando instabilidade e insegurança. E quem define os interesses de África e dos seus povos? Esse é que é o busílis que os que estão no poder há dezenas de anos, graças a golpes militares ou por fraude eleitoral (como é o caso do MPLA em Angola ou da Frelimo em Moçambique), não querem ver.
Por Orlando Castro
O general João Lourenço divulgou a mensagem na sua página de uma rede social por ocasião da data comemorativa do Dia da Paz e Reconciliação em África.
“Continuamos a observar, com muita tristeza, uma perigosa tendência para pormos de lado, de forma ligeira, os valores da irmandade e da solidariedade africana e agirmos contra os próprios interesses de África e dos seus povos, criando factores de instabilidade e de insegurança, por se descurar a força e a importância do diálogo e das soluções diplomáticas como a única via aceitável para dissipar tensões e evitar guerras que geram e agravam a pobreza, associada à enorme massa de deslocados e refugiados que daí derivam”, salientou o chefe de Estado, Presidente do MPLA, Titular do Poder Executivo e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas (supostamente apartidárias)..
O Presidente angolano diz que os “maus exemplos desta conduta reprovável em África” colocam os seus mentores nas páginas menos gloriosas de África “como os promotores de tragédias humanas” condenáveis.
Exortou assim as lideranças cujo envolvimento directo ou indirecto são capazes de fazer a diferença, “a trabalharem em prol da paz e da reconciliação no continente africano”, em particular no Leste da República Democrática do Congo (RDCongo), o Sudão e a região do Sahel.
O chefe do executivo angolano tem agido como mediador entre o Ruanda e a RDCongo nos esforços de pacificação do leste da RDCongo, onde o conflito se intensificou nos últimos dias, tendo mesmo sido “condecorado” com a designação de “campeão da… paz”.
O general João Lourenço destaca que os “pais fundadores” do nacionalismo africano lutaram por uma África unida e próspera, após conquistarem a independência, vendo “com grande preocupação” que, seis décadas depois do início da autodeterminação dos povos africanos, o continente enfrente desafios complexos decorrentes em parte dos conflitos armados.
Dirigindo-se aos seus “irmãos e irmãs africanos” o chefe de Estado angolano apelou a uma reflexão sobre o caminho percorrido e os desafios que continuam a enfrentar, para que se coloquem de lado as diferenças e se construa um caminho que conduza à paz, à estabilidade e à segurança.
Eis o auto-elogio que o próprio intitulou “Texto integral da mensagem do Campeão da Paz e Reconciliação em África”:
«Ao assinalarmos hoje, 31 de Janeiro, pela terceira vez a data comemorativa do dia da Paz e Reconciliação em África, em conformidade com a Declaração da 16ª Sessão Extraordinária da Assembleia da União Africana, realizada em Malabo, Guiné Equatorial, a 28 de Maio de 2022, constitui para mim uma honra endereçar, uma vez mais, uma mensagem a África, na qualidade de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África.
Os Pais Fundadores do nacionalismo africano lutaram e sonharam com uma África unida, desenvolvida e próspera, após a conquista das independências nacionais.
Volvidas 6 décadas desde o advento da autodeterminação dos Povos africanos, devo constatar, com grande preocupação, que o continente continua a deparar-se com desafios complexos, decorrentes, em muitos casos, dos conflitos armados que afectam seriamente as relações entre alguns Estados africanos e condicionam em grande medida o esforço do desenvolvimento e do bem-estar dos Povos de África.
Hoje, uma data significativa para cada um de nós, deixo a todos um apelo a que façamos uma reflexão sobre o caminho que percorremos até aqui, os percalços que tivemos que ultrapassar e os desafios que continuamos a ter que enfrentar, para que nos concentremos num amplo e genuíno esforço a ser empreendido por cada africano, individual e colectivamente, no sentido de nos mobilizarmos para, em conjunto com as forças vivas das nossas nações e com os líderes que as conduzem, colocarmos de lado as nossas diferenças e transformá-las na nossa maior força, para que, entre nós, construamos o caminho que nos conduza à paz, à estabilidade e à segurança.
Continuamos a observar, com muita tristeza, uma perigosa tendência para pormos de lado, de forma ligeira, os valores da irmandade e da solidariedade africana e agirmos contra os próprios interesses de África e dos seus povos, criando factores de instabilidade e de insegurança, por se descurar a força e a importância do diálogo e das soluções diplomáticas como a única via aceitável para dissipar tensões e evitar guerras que geram e agravam a pobreza, associada à enorme massa de deslocados e refugiados que daí derivam.
Os maus exemplos desta conduta reprovável em África não valorizam homens e mulheres que estão na sua origem, pelo contrário, coloca-os nas páginas menos gloriosas da história de África como os promotores de tragédias humanas a todos os títulos condenáveis.
Neste contexto, exorto as lideranças cujo envolvimento directo ou indirecto são capazes de fazer a diferença, a trabalharem em prol da Paz e da Reconciliação no continente africano, com especial destaque para o Leste da República Democrática do Congo, o Sudão e a região do Sahel, bem como em outras zonas em conflito, privilegiando o diálogo como a melhor via para a resolução das divergências.
A África com a qual ainda sonhamos e ambicionamos, economicamente forte e socialmente estável, que supere o analfabetismo, a fome e a miséria, que garanta emprego e bem-estar para os seus filhos, e seja, efectivamente, respeitada no concerto das nações, só poderá ser alcançada com um calar das armas capaz de impulsionar uma Paz e Reconciliação genuína e perene.
Com o comprometimento de todos africanos e, especialmente, de jovens e mulheres na materialização da Paz e Reconciliação Nacionais, coloquemos todos os nossos recursos materiais, intelectuais e espirituais a favor da Paz e da Reconciliação visando o desenvolvimento económico e social dos nossos países e do nosso Continente como um todo.
Viva a Africa em Paz e Reconciliada!»